O povo do Xingu ama Dom Erwin Krautler, mas sempre soube pelo próprio bispo, que no Direito Canônico o bispo ao completar 75 anos deve pedir a renúncia do cargo ao Papa. Já faz mais de ano que Dom Erwin fez o pedido ao Papa Francisco e todos aguardavam ansiosos o anúncio do novo bispo. E saiu, como um presente de Natal antecipado ao povo a sua nomeação. Apesar de esperado o anúncio surpreendeu o senhor, bem no finalzinho do ano?

 

As nomeações episcopais são sempre marcadas pela surpresa. Trata-se de um chamado de Deus e de uma resposta daquele que é chamado a uma missão específica que é evangelizar. Nos seus desígnios Deus sempre nos surpreende.

 

A nomeação de um bispo tem um certo mistério para o povo, como foi a sua nomeação. O senhor sabia que era cogitado para ser o novo bispo do Xingu? Se sabia, desde quando? Por que o senhor resolveu aceitar?

 

O processo de nomeação de um bispo é iniciado e conduzido pela Nunciatura Apostólica; envolve o bispo que apresenta sua renúncia, os bispos das dioceses vizinhas, sacerdotes, fiéis, a Cúria Romana e o Papa. O candidato ao episcopado deve preencher os critérios estabelecidos no Direito Canônico (Cân. 378).

 

O chamado a ser bispo da Prelazia de Xingu foi surpresa para mim. Aceitei, com a certeza de que Deus nos conduz nesta missão de servir aos irmãos desta Igreja viva, atuante e defensora da vida com a força do evangelho de Cristo.

 

O que sente sabendo que a Prelazia do Xingu é um complexo cultural, onde existem muitas nações indígenas e migrantes de todos os Estados do país?

 

A Região do Xingu abriga uma diversidade de culturas e de interesses sócio-político e econômico que nem sempre respeitam os direitos humanos. A Igreja tem sido uma voz profética em favor da vida e das culturas autóctones ameaçadas. É uma região de grandes desafios e potencialidades.

 

O senhor é Doutor em Ética Moral e professor, até sua ordenação foi Guardião dos Franciscanos... deve ter desenvolvido diversas atividades no desenvolver de sua vida pastoral, poderia falar um pouco sobre elas?

 

Na minha Província Franciscana trabalhei vários anos na formação dos jovens candidatos à vida franciscana: mestre do Postulantado e do período de Pós-noviciado; nos últimos dois anos lecionei no Instituto de Estudos Superiores do Maranhão (IESMA). Na pastoral trabalhei como vigário paroquial e pároco; na animação da Província colaborei como Definidor e Ministro Provincial. Eu gosto de estar com as pessoas.

 

Quem é Frei João Muniz Alves, segundo o senhor mesmo?

 

Frei João Muniz é um franciscano apaixonado por Cristo que se manifesta nos seres humanos e nas demais criaturas. Acredito que podemos construir um mundo melhor, onde os seres humanos serão amados e respeitados e “justiça e a paz se abraçarão” (Sl 85,11) em favor da vida.

 

Ao dar seu Sim a exemplo de Maria, nossa Mãe, o senhor certamente não tem toda a dimensão do que lhe reserva mas tem a confiança em Deus para lhe apoiar em seus trabalhos junto ao Povo do Xingu. O que sonha fazer primeiramente na Prelazia do Xingu?

 

Dei o meu sim ao episcopado confiando na bondade de Deus que ama e nunca nos abandona, na força do evangelho e na missão da Igreja. Em todas as partes do mundo a missão da Igreja é sempre a mesma: viver e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo encarnado na realidade da vida. Cristo se encarnou, viveu, morreu e ressuscitou para realizar o plano de amor salvífico em favor da humanidade. Nossa missão é estarmos a serviço da vida como Maria, os apóstolos e todos os evangelizadores cristãos.

 

O bispo é alguém comprometido com Deus e com o seu povo. Quero trabalhar junto às forças evangelizadoras da prelazia.

 

*Entrevista exclusiva ao site da Prelazia do Xingu, por: João A. Garcia.