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CELEBRAÇÃO DE POSSE DE DOM FREI JOÃO MUNIZ ALVES NA PRELAZIA DO XINGU


A PRELAZIA DO XINGU tem a alegria de convidar você e sua família para acolhermos nosso Bispo Dom Frei João Muniz Alves, que vem do Maranhão para trabalhar junto ao Povo de Deus no Xingu. Será no dia 03 de abril de 2016 às 09:00 h no Ginásio Poliesportivo da Brasília

Estarão presentes também os representantes de todas as comunidades da Prelazia, Dom Erwin, Padres, Irmãs, Irmãos e uma representação do povo querido do Maranhão da Arquidiocese de São Luís.

Também se farão presentes os Bispos e Arcebispos:

Dom Alberto Taveira Corrêa, Arcebispo de Belém
Dom José Belisário Arcebispo de São Luiz MA
Dom Roque Paloschi Arcebispo de Porto Velho
Dom Bernardo Johannes Bahlmann Bispo de Óbidos
Dom Dominique Mare Jean Denis You- Bispo de Conceição do Araguaia
Dom Esmeraldo Barreto de Farias- Bispo Ax de São Luis MA
Dom Flávio Giovenale- Bispo de Santarém
Dom Pedro Contti- Bispo de Macapá
Dom Teodoro Mendes Tavares- Bispo de Ponta de Pedras
Dom Wilmar Santin,Bispo de Itaituba
Dom Xavier Gilles de Maupeou d'Ableiges Bispo Em de Viana - MA

 

 

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A Prelazia do Xingu está em sintonia com nossos bispos - acompanhamos com Fé e carinho esse momento tão importante para a Prelazia do Xingu.

 

 

"Queridos irmãos e irmãs de Xingu, Paz e Bem!
Agradeço a sintonia
 pela oração às vésperas de nossa Ordenação episcopal. Obrigado pelo 
gesto carinhoso ao vosso novo pastor. Deus nos conduza para juntos 
servirmos ao seu povo querido nesta Prelazia que tem uma história de 
heroísmo cristão, de serviço dedicado no amor e na misericórdia pelos 
necessitados de atenção e cuidado. Estamos juntos nesta missão.
Meu fraterno abraço e bênção a todos."
+ Frei João Muniz, OFM

 

 

Fotos coletadas ou enviadas a nós

Publicado por Prelazia do Xingu em Segunda, 7 de março de 2016

 
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Parabéns, Dom Erwin Krautler! 35 anos de episcopado.

Receba as felicitações do Povo de Deus do Xingu, seus amigos e amigas na caminhada.

"Não sou um guerreiro que combateu com armas terrestres, mas com a espada do Espírito que é a palavra de Deus"...Enfim, pus mão à obra e tinha tanta boa vontade que consegui perfeitamente. Que felicidade poder dizer: "Estou seguro de fazer a vontade do Bom Deus".
Eu não lamento a vida, oh, não! E minha vida é um ''único ato de amor! O Bom Deus me dá coragem na proporção dos meus sofrimentos. Faz-nos tanto bem, quando sofremos, ter corações amigos, cujo eco responde a nossa dor. A caridade é o caminho excelente, que conduz seguramente a Deus. Sou de tal natureza que o temor me faz recuar; com o amor não somente avanço, mas vôo..."  Santa Teresinha.
 

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O povo do Xingu ama Dom Erwin Krautler, mas sempre soube pelo próprio bispo, que no Direito Canônico o bispo ao completar 75 anos deve pedir a renúncia do cargo ao Papa. Já faz mais de ano que Dom Erwin fez o pedido ao Papa Francisco e todos aguardavam ansiosos o anúncio do novo bispo. E saiu, como um presente de Natal antecipado ao povo a sua nomeação. Apesar de esperado o anúncio surpreendeu o senhor, bem no finalzinho do ano?

 

As nomeações episcopais são sempre marcadas pela surpresa. Trata-se de um chamado de Deus e de uma resposta daquele que é chamado a uma missão específica que é evangelizar. Nos seus desígnios Deus sempre nos surpreende.

 

A nomeação de um bispo tem um certo mistério para o povo, como foi a sua nomeação. O senhor sabia que era cogitado para ser o novo bispo do Xingu? Se sabia, desde quando? Por que o senhor resolveu aceitar?

 

O processo de nomeação de um bispo é iniciado e conduzido pela Nunciatura Apostólica; envolve o bispo que apresenta sua renúncia, os bispos das dioceses vizinhas, sacerdotes, fiéis, a Cúria Romana e o Papa. O candidato ao episcopado deve preencher os critérios estabelecidos no Direito Canônico (Cân. 378).

 

O chamado a ser bispo da Prelazia de Xingu foi surpresa para mim. Aceitei, com a certeza de que Deus nos conduz nesta missão de servir aos irmãos desta Igreja viva, atuante e defensora da vida com a força do evangelho de Cristo.

 

O que sente sabendo que a Prelazia do Xingu é um complexo cultural, onde existem muitas nações indígenas e migrantes de todos os Estados do país?

 

A Região do Xingu abriga uma diversidade de culturas e de interesses sócio-político e econômico que nem sempre respeitam os direitos humanos. A Igreja tem sido uma voz profética em favor da vida e das culturas autóctones ameaçadas. É uma região de grandes desafios e potencialidades.

 

O senhor é Doutor em Ética Moral e professor, até sua ordenação foi Guardião dos Franciscanos... deve ter desenvolvido diversas atividades no desenvolver de sua vida pastoral, poderia falar um pouco sobre elas?

 

Na minha Província Franciscana trabalhei vários anos na formação dos jovens candidatos à vida franciscana: mestre do Postulantado e do período de Pós-noviciado; nos últimos dois anos lecionei no Instituto de Estudos Superiores do Maranhão (IESMA). Na pastoral trabalhei como vigário paroquial e pároco; na animação da Província colaborei como Definidor e Ministro Provincial. Eu gosto de estar com as pessoas.

 

Quem é Frei João Muniz Alves, segundo o senhor mesmo?

 

Frei João Muniz é um franciscano apaixonado por Cristo que se manifesta nos seres humanos e nas demais criaturas. Acredito que podemos construir um mundo melhor, onde os seres humanos serão amados e respeitados e “justiça e a paz se abraçarão” (Sl 85,11) em favor da vida.

 

Ao dar seu Sim a exemplo de Maria, nossa Mãe, o senhor certamente não tem toda a dimensão do que lhe reserva mas tem a confiança em Deus para lhe apoiar em seus trabalhos junto ao Povo do Xingu. O que sonha fazer primeiramente na Prelazia do Xingu?

 

Dei o meu sim ao episcopado confiando na bondade de Deus que ama e nunca nos abandona, na força do evangelho e na missão da Igreja. Em todas as partes do mundo a missão da Igreja é sempre a mesma: viver e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo encarnado na realidade da vida. Cristo se encarnou, viveu, morreu e ressuscitou para realizar o plano de amor salvífico em favor da humanidade. Nossa missão é estarmos a serviço da vida como Maria, os apóstolos e todos os evangelizadores cristãos.

 

O bispo é alguém comprometido com Deus e com o seu povo. Quero trabalhar junto às forças evangelizadoras da prelazia.

 

*Entrevista exclusiva ao site da Prelazia do Xingu, por: João A. Garcia.

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D. Erwin Kräutler: minha grande família que escolhi é o povo do Xingu

Entrevista exclusiva concedida a
João Carlos Pereira
Especial para O LIBERAL


Nunca pensei que entrevistar D. Erwin Kräutler fosse uma tarefa tão fácil. Liguei para a Diocese, querendo saber onde o encontraria, e fui informado de que estava visitando comunidades. A sugestão da secretária foi que enviasse um e-mail. O que poderia parecer um balde de água fria em meu propósito, rapidamente se transformou numa grande surpresa. Duas horas depois, D. Erwin já havia lido a mensagem e se colocava à disposição. Responderia as perguntas por escrito, porque, onde estava, nem sempre se consegue falar bem no celular.  Quando leu que sua renúncia gerou um grande fato jornalístico, se assustou e desejou saber “quais as razões”. Seria apenas uma rotina administrativa, prevista no artigo 401, parágrafo 1, do Código Canônico, se o renunciante em questão não se chamasse Erwin Kräutler. Ele possui histórico de vida tão raro quanto precioso, no campo social, entre os homens que se dispuseram a entregar (literalmente) a própria vida, seguindo a melhor tradição – da qual se fez digno herdeiro – dos apóstolos de Jesus, pela causa dos menos favorecidos. E quando a notícia é a de que se afasta, oficialmente, de uma missão tão importante, surge outra  interrogação tão grande, quanto a que se formou com o afastamento do cardeal Paulo Evaristo Arns da arquidiocese de São Paulo: o que vai ser  daqueles cuja voz era ouvida apenas pelas palavras de seu Bispo? A comparação não é desmedida. D. Paulo e  d. Erwin, assim como outros grandes Bispos brasileiros, como Hélder Câmara e Pedro Casaldáliga, por exemplo,  passaram a vida lutando, corajosamente,  pelas causas que abraçaram, sem jamais haverem perdido a dimensão da fé. (JCP)

1 – O Papa aceitou sua renúncia um ano e meio depois do envio oficial do pedido. Nesse tempo, o senhor esperava que a Santa Sé – o próprio Francisco – solicitassem que permanecesse no cargo? Isso aconteceu com os cardeais Ratzinger e Bergoglio, que apresentaram renúncia aos homens que vieram a suceder, no trono de Pedro.
Apresentei minha renúncia em carta ao Papa Francisco no dia 8 de julho de 2014 como o Direito da Igreja recomenda a um bispo que está completando 75 anos de idade. Poucas semanas depois veio a resposta. O Papa pediu-me que continuasse no cargo “nunc por tunc” (= “por enquanto”) até que fosse nomeado o meu sucessor. Passou um ano e meio até que isso acontecesse.
2 Nesse período, o senhor continuou a trabalhar sem pensar no desligamento ou fez planos para quando chegasse o documento do papa, aceitando seu pedido?
Continuei com minha agenda repleta de visitas programadas às comunidades e compromissos dentro e fora da Prelazia.
3 O que pretende fazer agora. D. Erwin?  Ficará no Xingu, com Bispo Emérito, auxiliando seu sucessor, um franciscano que é professor de Teologia? Quais os seus planos?
Terei o privilégio de ser o consagrante principal na ordenação episcopal de Frei João Muniz Alves que será meu sucessor como Bispo Prelado do Xingu. Ele precisará de um bom tempo para conhecer essa maior circunscrição eclesiástica do Brasil e assumir a sua missão de bispo numa realidade complexa e em parte também conflitiva. Não vou passar o cargo para ele e sumir do mapa. Um novo bispo não entra pela porta da frente e o seu antecessor sai na mesma hora pela porta dos fundos. Seria um absurdo. Se ele me escolheu como consagrante principal certamente conta ainda com minha ajuda de irmão até conhecer de perto as regiões, paróquias e áreas de pastoral, as diversas dimensões da Prelazia e também os desafios da Igreja do Xingu. Sem dúvida, haverá um tempo razoável de transição, mas sem transtornos. Estarei simplesmente à disposição de meu sucessor. Aliás, fiquei muito feliz com a nomeação desse frade franciscano que nasceu em nosso estado vizinho, no Maranhão. Laudato Sí – Que Deus seja louvado!
Não faço planos. Sou secretário da Comissão Episcopal para a Amazônia presidida pelo Cardeal Dom Cláudio Hummes e assumi a função de coordenador da REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica) no Brasil. Esses cargos continuam independentes da sucessão no Xingu. Além do mais recebi e recebo muitos convites para orientar retiros para Padres e Religiosas/os. Não me faltará trabalho e oportunidade de engajar-me nas diversas frentes de nossa Igreja. Aliás, nem consigo atender a todos os convites dentro e fora do país para falar sobre a Causa Indígena e a questão da Amazônia em diversos fóruns, seminários em nível nacional e internacional. Certamente não vou morrer de tédio, sem saber o que fazer. Deus me livre!
4 O Pará é sua terra adotiva, como Belém foi a terra que adotou, até o fim,  D. Vicente Joaquim Zico,  seu irmão no episcopado. Um homem com duas pátrias (ainda que naturalizado), como se sente agora, quando está, pelo menos oficialmente, dispensado da missão de dirigir uma Diocese?
Completei cinquenta anos de Xingu. Quando fui nomeado bispo, já vivia há quinze anos no Xingu. Sempre digo que sou “brasileiro nascido na Áustria”. Não fui mandado para o Xingu. A escolha e decisão foi minha. Quando à meia noite de 24 a 25 de novembro de 1965 cheguei em Belém a bordo de num navio cargueiro, sabia que ia ficar. Em 21 de dezembro de 1965 já estive em Altamira. Nunca me arrependi. Ninguém nega as raízes. Seria um absurdo, mas entendo-me hoje como xinguara. Identifico-me com essa região em que vivo há meio século e com seu povo. A maioria dos municípios do Xingu me outorgou o título de cidadão honorífico. Sou Doutor honoris causa pela Universidade Federal do Pará. E tem mais: Aposto que exista alguém que conhece o Xingu e o seu povo tão bem como eu. Visitei as comunidades em toda parte, fui até as cabeceiras dos igarapés e os fundos das vicinais da Transamazônica. Andei pelo Alto e Baixo Xingu. Visitei aldeias indígenas e as comunidades mais distantes. 50 anos não são 50 dias! Com tudo isso, quem ainda ousaria duvidar que sou do Xingu. Nunca me apresentei como “austríaco”. Sempre digo que sou do Xingu. Nasci na Áustria, sim, mas vivi e vivo a minha vida aqui. Não tenho planos de voltar definitivamente à Áustria. É perigoso transplantar uma árvore velha. Se o fizer, ela vai murchar, perder as folhas e lentamente morrer.
5 Onde mora sua família? Seus amigos estão todos no Pará? A gente do Xingu, os índios, eles são sua família? Penso que o senhor pode dizer como Jesus: “minha mãe e meus irmãos são os que fazem a vontade de Deus”. Onde estão os “seus”, D.  Erwin?
Tenho minha família em dois níveis. A biológica, é claro, e a família que escolhi. Meus pais, Deus já os recebeu nos prados eternos. Morreram idosos, ambos no mesmo ano. Mamãe foi primeiro aos 91 anos em janeiro de 2004, papai seguiu aos 94 anos em maio daquele ano. Tenho irmãos e irmãs, sobrinhas, sobrinhos, cunhadas, cunhados e muitos primos e primas, inclusive no Brasil, já que meu tio, irmão da minha mãe, casou aqui. Somos uma família tradicional com muitas ramificações. A primeira informação sobre um antepassado com meu sobrenome e no lugar em que eu nasci, é do início do século XV.
Mas minha grande família que escolhi é o povo do Xingu. É minha gente. Esse povo me acolheu com muito carinho quando cheguei, com a idade de apenas 26 anos, Padre recém-ordenado, cheio de entusiasmo. Em todos esses anos senti sempre o carinho do povo do Xingu. Quando fui ameaçado de morte por alguns mafiosos que não aceitaram o meu empenho intransigente em favor dos pobres, dos índios, os atingidos pela barragem, ou queriam vingar-se porque denunciei injustiças e violências e apontei ainda os criminosos que abusaram de meninas do colégio, o povo reagiu imediatamente e tomou partido em meu favor. Havia faixas dizendo: “Dom Erwin, nós te amamos!” Quantas “declarações de amor” recebi e continuo recebendo. Onde chego em visita a uma comunidade, o povo me abraça, beija, quer pousar comigo para fotos. A turma jovem bate  “selfies”. E no final da visita, sempre a mesma pergunta: “Quando vem de novo?”. Quantas despedias com lágrimas! Alguém ainda dúvida, quem é minha família?
6 Sabe-se que o senhor é um homem de hábitos simples, que deu a vida pela causa que abraçou. É padre no melhor sentido do termo. O que não pode fazer, enquanto Bispo, que pretenda fazer agora?
Continuo bispo, só deixo de ser o titular da Prelazia do Xingu. Há coisas que há muito tempo queria fazer e não tive condições de fazê-lo. O arquivo da Prelazia precisa urgentemente de uma atenção especial. Acumularam-se muitos documentos e cartas. Sempre gostei de escrever, mas na maioria das vezes foi quase que “sob pressão”. Queria ter tempo para contar tantas histórias vividas ao longo desse meio século.
7 Belo monte foi a causa em que, recentemente, mais se engajou. O mundo inteiro ouviu sua voz, protestando contra a construção da usina. Menos, ao que parece, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma. Belo Monte é agenda proibida com a Presidente? Quando soube que não poderia tratar desse tema, o senhor desistiu do encontro. O que vale a pena conversar com ela?
Belo Monte já é uma realidade. Lutamos por décadas contra esse projeto e não conseguimos evitar a sua realização. Estive duas vezes com Lula, em 19 de março e 22 de julho de 2009. Naquelas audiências tive ainda esperança de poder reverter o quadro. Na segunda audiência éramos dez pessoas: indígenas, ribeirinhos, procuradores da República, Dr. Célio Berman da USP e a mulher mais empenhada na luta em favor da Amazônia e de seus povos que conheci em minha vida, a minha comadre Antônia Melo. Foi naquela oportunidade que o Lula me segurou no braço e falou aquela frase que virou até manchete: “Não vamos empurrar esse projeto goela abaixo de quem quer que seja!”. Falou ainda que Belo Monte, se for realizado seria totalmente diferente de outros empreendimentos deste tipo. Ele não pretendia repetir Balbina que chamou de “monumento à insanidade”. Lembrou ainda a grande dívida que o Brasil tem com os atingidos de outras barragens e finalizou dizendo que Belo Monte só será feito “se for do agrado de todos”. Naquela hora fiquei eufórico. Acreditei na sinceridade do presidente. Só mais tarde dei-me conta de que todas as palavras do presidente foram mera encenação. Falou o que o bispo queria ouvir. Quando descobri que fui traído, fiquei com nojo! Como presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) tentei ainda um contato com a Dilma. Mas soube que, se Belo Monte constasse da pauta de assuntos a serem tratados com a presidente, ela mandaria cortar imediatamente, pois Belo Monte é fato consumado. Quem se prontificou a receber-me em audiência foi o Ministro da Secretaria-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Foi agendada a audiência. Mas poucos dias antes da data marcada, em um evento promovido pela Pastoral Social da CNBB, Gilberto Carvalho foi categórico em anunciar em alto e bom som que a construção de Belo Monte está decidida e essa decisão é irreversível. O que eu iria ainda fazer lá no gabinete desse homem? Pousar para uma foto ao lado de um sorridente ministro como prova do “diálogo” entre o governo e o bispo do Xingu? Não fui! Fui eu quem cancelou a audiência.
8 O ex-presidente Lula prometeu diálogo, respeito às pessoas e que a usina só sairia do papel se fosse do agrado de todos. Isso não aconteceu. Parece que tudo que ele prometeu foi para ser agradável ao senhor. Deve ter ficado uma grande mágoa por haver ser sido iludido por um presidente da República...
Soube depois da segunda audiência em 22 de julho de 2009 que a equipe que cerca o presidente já havia questionado a concessão de uma audiência ao bispo do Xingu, alegando tratar-se de “agenda negativa”. Mas Lula manteve o que prometeu em 19 de março. Garantiu efusivamente a continuação daquilo que ele chamou de diálogo. Foi marcado um outro encontro para outubro do mesmo ano. Passei no final de outubro de 2009 uma semana em Brasília aguardando ser chamado para um novo “diálogo”. Cada dia recebi um telefonema do planalto dizendo que “hoje não dá, talvez amanhã”. Na sexta-feira Gilberto Carvalho me telefonou às 21:30 avisando que “lamentavelmente” não daria desta feita eu ser recebido pelo presidente pois ele partiria para Venezuela para encontrar-se com Hugo Chávez. Na minha ingenuidade ainda acreditei no “diálogo” até que finalmente descobri que fui gentilmente convidado a cair fora.
9 Belo Monte já é uma luta perdida. Como o senhor se sente, depois de haver alertado o planeta para os desastres ambientais que a construção da usina provocaria e, sobretudo, para os dramas humanos? Como o senhor vê o quadro, agora irreversível, das pessoas que vivem na região da usina? As casas, pelo menos, oferecem condições dignas de moradia?
Muitas vezes me perguntam, se eu não estava tremendamente frustrado e decidido de pendurar as chuteiras de uma vez, já que não fui, ou melhor, já que não fomos vitoriosos em nossa luta. Primeiro não me entendo como derrotado, de jeito nenhum. Como bispo cumpri minha missão. Quem se deixa orientar pelo Evangelho não faz depender o seu engajamento em favor dos irmãos e irmãs da certeza da vitória, já previamente garantida. Aliás, a execução de Jesus na forma mais cruel que a antiguidade conhecia é aparentemente um atestado insofismável do fracasso total e absoluto de sua missão. De fato, os sumos sacerdotes e anciãos acharam que com a morte de Jesus toda a sua mensagem fosse varrida de uma vez da face da terra. No entanto, da cruz saiu a maior revolução de todos os tempos, a revolução do amor. É bem interessante também a palavra de Mahatma Gandhi: “A satisfação está no empenho, não no sucesso. Empenho total é sucesso total”
As casas construídas para as famílias compulsoriamente desalojadas e arrancadas de sua terra são bonitinhas por fora e apertadas por dentro. São planejadas nos gabinetes de Brasília e não levam em conta a índole do povo paraense e amazônida e as  peculiaridades climáticas da região. Mesmo que têm mais uns poucos metros quadrados inserem-se no estilo das gaiolas denominadas “Minha Casa – Minha Vida”. São uma agressão à cultura habitacional do paraense, do amazônida, pois não levam em conta os costumes do povo que vive aqui. A tradicional hospitalidade amazônida que sempre acha mais um lugar em casa para atar a rede para um familiar, parente ou amigo, é brutalmente massacrada. Imagine-se só um casal com talvez dois filhos diante do pai ou da mãe que vivem no interior e vem a Altamira para se tratar e logicamente se dirigem à casa de seu filho ou filha para hospedar-se. O filho, a filha terá que repetir a sentença do dono da pensão em Belém quando Maria e José procuraram abrigo: “Aqui não tem lugar!”.

10 O senhor consegue dimensionar o tamanho do prejuízo que os povos indígenas tiveram, histórica e continuamente, na Amazônia, desde que aqui chegou, em 1965, como padre recém-ordenado?
Lamento que os povos indígenas que até agora viviam na Volta Grande do Xingu não têm condições de sobreviver em suas terras. Não sei se vão sobreviver fisicamente. Culturalmente sei que não! Os grandes projetos governamentais são todos anti-indígenas. Não levam  em conta a presença, desde tempos imemoriais, destes povos. O  sujeito da história é o projeto, não um povo.
Mas vivi nas décadas passadas também uma experiência muito positiva e gratificante. Desde que cheguei à Amazônia nutri uma afeição especial pelos povos indígenas. Nunca me esqueço da ducha fria que levei quando como padre recém-chegado perguntei pelos Kayapó e um cidadão me respondeu que deveria “largar de mão esses caboclos” e ainda acrescentou: “Se Deus quiser, daqui a vinte anos não sobrará um deles!” Naquela hora jurei comigo mesmo que no que depender de mim lutaria sem trégua em favor dos povos indígenas, pela sua sobrevivência, sua cultura e pelo direito às suas terras ancestrais. Já em 1983 fui pela primeira vez eleito presidente nacional do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Exerci essa função por quatro mandatos. Uma das maiores vitórias que registro em minha vida foi a inscrição dos direitos indígenas na Constituição Federal de 1988. Foi fruto do empenho do Cimi e da Igreja Católica junto com os povos indígenas. Através de inúmeros encontros com os deputados constituintes, conversas e palestras, inclusive no Congresso, conseguimos finalmente uma votação favorável ao capítulo “Dos Índios” (Art. 231 e Art. 232). No dia 1º de junho de 1988, o plenário da Assembleia Nacional Constituinte aprovou a redação do capítulo específico sobre os direitos indígenas. No segundo e último turno de votação plenária, na sessão de 30 de agosto de 1988, de 453 votos, o capítulo sobre os índios obteve 437 votos favoráveis, 8 abstenções e 8 votos contrários.
Lastimo agora ter que constatar que através da PEC 215/2000 a poderosa bancada ruralista no Congresso declarou guerra às conquistas de 1988, querendo alterar os parâmetros constitucionais.
11. Quando aqui chegou, há exatos meio século, a Igreja era governado pelo, agora, beato Paulo VI, que cuidava de dar vida às decisões do concílio convocado por seu predecessor, o agora São João XXIII. O Concílio não mudaria apenas o rito da missa, mas muita coisa deveria ser alterada. O que, se dependesse de sua forma de ver a vida, poderia ser mudado nas relações da Igreja com o mundo e da Igreja com seus padres e freiras? A manutenção do celibato é tema proibido ou deve ser revisto pelo papa?
Não considero o tema “celibato” um tema proibido. É um fato que muitos bispos falam sobre o assunto e não apenas “à boca pequena”. Concordo que se trata de um tema delicado que dá margem para muitas interpretações, às vezes até bastante equivocadas. Quero, porém, colocar os pingos nos is. A decisão por uma vida celibatária é decisão de um homem ou de uma mulher que opta livremente por esse estado de vida. Ninguém tem direito de forçar alguém a tomar essa decisão como ninguém pode obrigar um homem ou uma mulher a se casar. O celibato tem um valor imenso quando é assumido voluntariamente “por causa do Reino” (Mt 19,12). Pessoalmente não poderia imaginar-me fazer o que fiz ou expor-me do jeito como tive que me expor, enfrentar circunstâncias adversas como tive que enfrentar e suportar até ameaças à minha vida se tivesse mulher e filhos. Pelo menos na hora das ameaças teria que tomar a decisão de sair da conjuntura hostil e lembrar-me da primeira responsabilidade como esposo e pai de família. A família sempre teria que ser a prioridade número um.
O celibato se torna “problema” quando é acoplado à Eucaristia que, segundo as atuais leis e normas da Igreja, pode só e exclusivamente ser presidida por um homem celibatário. O Vaticano II (1962-65) afirmou que “nenhuma comunidade cristã se edifica sem ter a sua raiz e o seu centro na celebração da santíssima Eucaristia, a partir da qual, portanto, deve começar toda a educação do espírito comunitário” (PO 6). A Constituição Dogmática “Lumen gentium” do mesmo Concilio fala da Eucaristia como “fonte” e “ponto culminante de todas a vida cristã” (LG 11). É portanto urgente que a Igreja cria estruturas para que os 70% das comunidades da Amazônia que só tem acesso à Eucaristia duas ou três vezes ao ano possam ter acesso à celebração eucarística dominical.
O “problema” não é o celibato em si que é uma graça, mas a exclusão de milhões da celebração eucarística dominical por causa de estruturas perfeitamente modificáveis.
12 É verdade que o senhor pediu ao Papa permissão especial para ordenar homens casados, uma vez que há uma carência enorme de sacerdotes em sua Diocese, onde há 800 comunidades e apenas 27 padres. Qual foi a resposta da Santa Sé? Se é que houve resposta.
Nunca pedi ao Papa explicitamente uma “permissão especial para ordenar homens casados”. Que eu tivesse feito um pedido nestes termos foi uma interpretação que apareceu em alguns jornais. Na realidade falei na audiência particular que o Papa Francisco me concedeu em 4 de abril de 2014 sobre as “comunidades sem eucaristia”. O Papa falou então aquela frase que também virou manchete. Ele me disse que espera dos bispos “propostas corajosas”. Voltando ao Brasil relatei na Assembleia Geral de 2014 em Aparecida aos bispos reunidos o que o Papa me havia dito. Em seguida a Presidência da CNBB constituiu uma comissão que está estudando e elaborando propostas “corajosas” que oportunamente podem ser submetidas ao Papa Francisco. Espero apenas que isso aconteça o quanto antes.
13 Na sua opinião, como deveria ser a ação da Igreja, hoje, numa terra continental como a Amazônia, onde algumas denominações ditas “evangélicas” avançam rápida e (desculpe o termo) predatoriamente sobre a consciência católica?
Minha experiência é que, quando alguém participa e se engaja em sua comunidade e a comunidade está funcionando realmente na sua dimensão samaritana e profética, se entendendo como a família das famílias em que todas e todos tem vez e voz, e ainda tornando-se espaço para a meditação da Palavra de Deus e de oração e celebração é muito raro um membro se despedir e mudar para uma outra denominação.
14 Padres casados são uma solução paliativa um futuro inevitável para a Igreja?
Mais uma vez, não se trata de padres casados ou não. O cerne da questão é o acesso dos fiéis à Eucaristia.  
15. O Papa Francisco tem conseguido fazer com que as pessoas pensem, pelo menos, na misericórdia de Deus para com as minorias, como os gays; ou para com mulheres que praticaram aborto. É a Igreja se abrindo ao mundo para acolher os que, até então, viviam à margem. O que o senhor pensa sobre isso? Como sua vivência entre povos indígenas e a gente simples do interior do Brasil, com poucos direitos à cidadania e à dignidade de vida,  fez o senhor pensar esses temas?
A história do Bom Samaritano que Jesus contou (Lc 10, 25-37) é para mim o paradigma para entender o que significam compaixão e misericórdia. Compaixão é um estado emotivo, um sentimento afetuoso do tipo: “Coitadinho!” “Dá dó ver o pobrezinho!”. Misericórdia é a compaixão traduzida em ação, em solidariedade, em amor que se doa sem nada esperar em troca.  O detalhe está no original grego do Evangelho de São Lucas, onde a pergunta de Jesus não é “quem foi o próximo” como erroneamente quase todas as edições da Bíblia traduzem. Jesus pergunta: “quem tornou-se próximo?”. Ser próximo é a constatação de alguém estar bem perto de outrem. Tornar-se próximo implica numa decisão conscientemente tomada de aproximar-se de outra pessoa, no caso da história do Evangelho, de quem foi assaltado e está necessitando de primeiros socorros. Não importa quem é, de onde vem, a que raça pertence, que religião professa. Basta que esteja sofrendo, basta que esteja precisando de nosso auxílio, de nosso apoio.
É essa vocação da Igreja, de cada cristão e cristã: tornar-se próximo. Em primeiro lugar nunca fica o julgamento ou uma possível condenação. A “aproximação” em termos de ajuda, carinho, compreensão tem sempre a primazia. Defendo a vida desde a concepção até o desenlace natural de uma pessoa. Mas defendo também que as mulheres em situações de risco sejam amparadas e tenham alternativas concretas para evitarem o pior, a morte provocada do neném debaixo de seu coração. Quando se fala em aborto, geralmente só se pensa na mulher. Tantas vezes fica sozinha no seu dilema, entregue à própria sorte. Cadê o homem que engravidou a mulher? Está palitando os dentes em qualquer esquina da rua como se nada tivesse acontecido! Existe ainda, e muito, essa desgraça de machismo.
Quanto aos indígenas, a misericórdia se traduz em defesa de seus direitos constitucionais e numa sensibilidade toda especial para com os primeiros habitantes desta terra. Atitudes ultrajantes e racistas continuam a existir e são muitas vezes cultivadas no seio da família. Se para os pais os índios são “caboclos” e “selvagens” quem vai evitar que os filhos tenham a mesma compreensão? Grande parte do material didático de nossas escolas tem que ser revisado.
16. São João Paulo II foi duro com o ex-presidente Sarney, quando disse que a reforma agrária no Brasil não poderia fracassar, porque era uma questão de direitos humanos. O que fez a Igreja para que esse processo não parasse de vez?
Fico intrigado como a questão da “reforma agrária” desapareceu da pauta do governo. Foi durante anos a bandeira prioritária do PT que inclusive ajudou o Lula ganhar a eleição. De repente nem é mais assunto de pauta nos Encontros Nacionais do PT. É uma das grandes decepções que carrego comigo: um partido que assumiu compromisso com as causas dos menos favorecidos no Brasil, especialmente os trabalhadores no campo e os operários debandou para o outro lado, fazendo alianças com o latifúndio e o agronegócio. Parece-me que para  garantir a governabilidade os políticos hoje estão prontos para fazer aliança até com o diabo.
Ainda bem que a Igreja Católica nunca abandonou essa causa. Sempre de novo a questão agrária estava na pauta de assuntos das Assembleias Gerais da CNBB. E a Pastoral de Terra (CPT) continua firme na defesa dos direitos dos agricultores e denuncia vigorosamente todo tipo de crimes no campo, desde a manutenção de empregados em regime de escravatura até os assassinatos brutais a mando do latifúndio. No caso da questão indígena o CIMI é hoje criminalizado por defender os direitos dos indígenas às suas terras ancestrais, ancorados na Constituição Federal em vigor. No Mato Grosso do Sul uma deputada estadual inventou uma CPI do CIMI que corre atualmente naquela Assembleia Estadual. Que inversão de valores!
17 O papa Francisco – cuja simplicidade, na casa Santa Marta, onde teve um  encontro privado com o Pontífice, que o deixou muito impressionado pela simplicidade – escreveu uma carta encíclica sobre ecologia. O senhor acha que ele continua pregando no deserto, como João Batista?
O encontro que tive com o Papa não ocorreu na Casa Santa Marta, mas na biblioteca do Palácio Apostólico. Passei quatro dias na Casa Santa Marta onde pude realmente apreciar a simplicidade do Papa Francisco. Vi como entrou à noite no refeitório e pegou o seu prato como qualquer hóspede para servir-se no buffet. Num outro dia vi-o chamar e aguardar o elevador, os guardas suíços em discreta distância.
Estou convicto de que a Encíclica Laudato Sí influenciou a 21ª Conferência do Clima (COP 21) realizada há poucas semanas em Paris. Aliás, esta encíclica também tornou-se um ponto alto em minha vida de bispo na Amazônia quando descobri que minhas sugestões a respeito da Amazônia e dos Povos Indígenas apresentadas naquela memorável audiência foram contempladas nos números 38 e 146.
Pode ser que o Papa é ainda uma voz no deserto, mas ninguém nega que ela repercute e  muito e não será mais calada.
18 O senhor ainda consegue acreditar num Brasil que não para de produzir notícias sobre a corrupção e a incompetência dos governos para agir em favor da vida dos que mais necessitam?
“A esperança é a última que morre” é um ditado popular. Continuamos a sonhar com um Brasil diferente. Aqui e acolá surgem fatos concretos. O “Lava-jato” já é um indicativo de mudança. Esses “cabra ruim” que lesaram o Brasil e os brasileiros hoje pelo menos são indiciados e quem nem em pesadelo sonhou com prisão está hoje vendo o sol quadrado. É pena que tudo anda tão devagar que às vezes se perde a confiança. Será que de novo tudo vai acabar em pizza? Como um presidente da Câmara de Deputados comprovadamente corrupto e mentiroso pode ser manter no poder? São perguntas que cada um de nós se faz.
Mas mesmo assim, mais uma vez:  “A esperança é a última que morre”
19 Agora que já não é mais responsável por uma Diocese, pensa em dispensar a proteção policial que o acompanha 24 horas por dia, até ir a um aniversário? Já se sente livre para ser livre ou a Amazônia, inclusive nesse sentido, continua a ser um lugar perigoso para pensa em Justiça Social como o senhor?
Não fui eu que pedi a proteção pessoal. Pelo contrário me opus e só aceitei diante da insistência de quem “sabia mais que eu” e me recomendou encarecidamente que aceitasse a decisão do governo. Assim cabe também à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República com seu programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos a encerrar a proteção especial.
Não vejo atualmente nenhuma razão de manter a proteção. Mas, como um superintendente da polícia me falou: „Quando tudo parece tranquilo, mesmo assim nunca se sabe o que essa gente está tramando“
20 Para finalizar, D. Erwin: o senhor conheceu outras irmãs (ou irmãos) como trabalho e coragem semelhantes ao de  Dorothy Stang em sua caminhada como padre ou como Bispo, que corram os mesmos riscos da missionária assassinada em 2005?   
Conheci, sim, pessoalmente o Dema, Ademir Alfeu Federicci, casado com Maria da Penha e pai de quatro filhos assassinado na madrugada de 25 de agosto de 2001 em sua casa. Caiu morto aos pés de sua mulher. “Maria cuide de nossos filhos!” teriam sido suas últimas palavras. Morreu pela mesma causa que foi a razão do assassinato, uns anos mais tarde, de Irmã Dorothy Mae Stang.
Irmão Humberto Mattle foi morto no corredor da Casa da Prelazia em que moro. O motivo verdadeiro de seu assassinato à queima-roupa ninguém sabe até hoje.
Já em 28 de abril de 1985 Irmã Cleusa Rody Coelho foi barbaramente executada. Conheci-a do Cimi. Dedicou a sua vida aos Apurinã, na Prelazia de Lábrea, AM. A autópsia revelou que foi espancada até a morte. Todas as suas costelas estavam quebradas, seu crânio fraturado.
Diante dessas e outras mortes bárbaras sempre lembro a palavra que se encontra na Primeira Carta de São João: “Nisto conhecemos o amor que Ele deu sua vida por nós. Também nós devemos dar nossas vidas pelos irmãos e as irmãs" (1 Jo 3,16).

Porto de Moz, 30 de dezembro de 2015

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Na medida que temos novidades vamos informando: sobre a ordenação episcopal do bispo eleito Frei João Muniz Alves OFM:

Por enquanto estão só definidas as datas para:

- Ordenação Episcopal no dia 5 de março de 2016 às 17 h (local ainda por marcar) em São Luís do Maranhão. Ainda faltam os demais detalhes.

- Posse do novo bispo do Xingu em Altamira no dia 3 de abril de 2016 às 09 h (local ainda por marcar), sede da Prelazia. Aqui também ainda faltam os detalhes.

Em cada sagração episcopal tem o consagrante principal. Quem o escolhe é o candidato, o bispo eleito escolheu Dom Erwin como consagrante principal.

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Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito, alegrai-vos!

Vossa bondade seja conhecida de todos.

O Senhor está próximo.

Não vos inquieteis com nada; mas apresentai a Deus

todas as vossas necessidades

pela oração e pela súplica, em ação de graças.

Então a paz de Deus, que excede toda a compreensão,

guardará os vossos corações e pensamentos, em Cristo Jesus“

Fil 4,4-7

 

 

Irmãs e irmãos, Padres, religiosas e religiosos,

catequistas e dirigentes de comunidade,

Povo de Deus do Xingu,

 

Neste momento histórico para a Igreja do Xingu convido a todos a deixar-se inspirar pela recomendação de São Paulo Apóstolo aos Filipenses: a alegria no Senhor, a certeza da presença do Senhor em nosso meio como Deus-conosco, o apelo à bondade e misericórdia e, finalmente, a confiança em Deus “pela oração e pela súplica” e “em ação de graças”.

 

Seguindo o que pede o Direito Canônico (Can. 401 § 1) escrevi em 8 de julho de 2014, poucos dias antes de completar 75 anos de idade, uma carta ao Papa Francisco e apresentei-lhe a renúncia à minha missão de bispo do Xingu. Em resposta à essa minha carta, o Papa solicitou que continuasse no meu ministério de bispo da Prelazia do Xingu até a nomeação de um sucessor.

 

Desde então passou um ano e meio. Hoje, porém, dia 23 de dezembro de 2015, antevéspera do Santo Natal do Senhor, às 12 horas do Vaticano, 8 horas no Xingu, foi divulgada a esperada nomeação de quem me sucedo como bispo do Xingu. Em 81 anos de existência da Prelazia do Xingu será o quarto bispo após Dom Clemente, Dom Eurico e Dom Erwin.

 

Eis a íntegra da notícia:

 

O Santo Padre aceitou a renúncia ao governo pastoral da Prelazia do Xingu, apresentada por S. E. Dom Erwin Kräutler C.PP.S. em conformidade com o Cânon 401 § 1 do Direito Canônico.

 

 

 

O Papa nomeou bispo prelado do Xingu (Brasil) o Reverendo Padre

 

Frei João Muniz Alves, OFM,

até a presente data Guardião da Comunidade Franciscana de São Luís do Maranhão. O Reverendo Padre Frei João Muniz Alves, OFM, nasceu em 8 de janeiro de 1961 em Carema, município de Santa Rita, na arquidiocese de São Luís do Maranhão. Emitiu os primeiros votos religiosos na Ordem dos Frades Menores em 2 de fevereiro de 1986 e os votos solenes em 14 de janeiro de 1991. Foi ordenado sacerdote em 4 de setembro de 1993.“

 

 

Peço agora a todos os irmãos e irmãs que rezem pelo bispo eleito para que, com a graça de Deus, tenha a coragem e a energia necessárias para conduzir o Povo de Deus do Xingu que lhe é confiado.

 

Nas Preces Eucarísticas se rezará a partir desta data por “nosso bispo eleito João” Logicamente não é proibido acrescentar, se assim o quiserem, o meu nome como administrador apostólico e depois como bispo emérito, mas em primeiro lugar sempre se dirá o nome de meu sucessor.

 

Peço ainda que o novo bispo seja aceito de coração aberto por todos os fiéis para que, desde o início de seu pastoreio no Xingu possa sentir-se acolhido com alegria e gratidão.

 

Data e local da sagração episcopal de Frei João Muniz Alves OFM e de sua posse como bispo do Xingu serão comunicados tão logo que eu receba as respectivas informações.

 

Até o dia em que o novo bispo tomar posse o Papa me pede que continue à frente da Prelazia do Xingu como Administrador Apostólico.

 

Aproveito para desejar-lhes um Santo e Feliz Natal do Senhor e todas as bênçãos de Deus para 2016.

 

Que Deus sempre seja louvado e nossa Mãe Maria Santíssima!

 

Altamira, 23 de dezembro de 2015

 

Erwin Kräutler

Admin. Apostólico

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Área Pastoral do Assurini - Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Prelazia do Xingu/ 3ª carta de 2015 - 8º Ano no Assurini

NOVEMBRO/DEZEMBRO DE 2015 E JANEIRO DE 2016

A Carta Aberta é uma maneira de manter viva a memória. Quem não tem memória não faz história, assim vamos recordar:

Em maio ocorreu o encontro com as lideranças noAssurini: estudaram o objetivo da Prelazia do Xingu: A Igreja, povo de Deus no Xingu, para ser fiel à missão profética e à prática libertadora de Jesus Cristo, ouvindo o clamor do povo e à luz da Palavra de Deus compromete-se com alegria a viver sua opção pelas/os excluídas/os, querendo ser acolhedora, samaritana, comunitária, orante e missionária, a resgatar os valores da família e a incentivar a iniciação à vida cristã no anuncio, no testemunho, no serviço e no diálogo, a caminho do Reino definitivo”. E as decisões da Assembleia escolhendo as prioridadese encaminhando trabalho na área: 1)Defesa da vida: organização , conscientização, ver-julgar-agir;2) Renovação das Comunidades ecleiais de Base – grupos de vizinhos- formação e autossustentação; 3ª Juventude: escolas- grupos-encontros formação e DNJ;4ºFamília – Encontros e Pastoral Familiar

No mês de junho estavamos preocupados em equipar o Centro de Formação Dorothy com um fogão, parabólica, geladeira, estante, pois Pe Juquinha faz morada lá e acolhe quem passa. O centro é do povo e é bom todos preocupar-se com ele. Agora até a capela funciona lá. Pois , a capela foi destruida- estava caindo ( abrindo). Vamos contriuir uma matriz- a agrovila Sol Nascente merece.

Neste mês veio o dinheiro de R$ 50.000,00 do projeto para um carro melhor. Da Associação São Miguél e Almas de Porto Alegre. Enviamos carta de agradecimento e já um novo pedido para um carro para o CIMI.

Também elaboramos um projeto para construção da nova capela da São Francisco Xavier, localizada agora no travessão dos Crentes. O recurso utilizado é referente a idenização da capela do Palhal no valor de R$30.500,00. Será inaugurada em 13/12, na Festa de SantaLuzia. Todos estão convidados.

Tivemos um caso triste: o acidente de 3 irmãos lassalistas. Foi em Capanema no dia 4 ou 05/06. o Ir Glicélio trabalhou aqui.

Comemoramos no dia 22/06 os 86 anos de Pe. Frederico Tschol eos 79 anos de Pe. José como também os 200 anos de fundação da Congregação Missionários do Sangue de Cristo.

Qual foi o destaque do mês de julho?

A 10ª Romaria da Floresta com destaque da participação de um grupo de mineiros em missão por Brasil Novo e Transamazônica, eram 26 pessoas, foi destaque também a memória da caminhada e a presença de D. Erwin conosco.

No final do mês foi o Retiro dos Agentes de Pastoral da Prelazia do Xingu com o bispo D. Flávio Giovenale de Santarém sobre a carta convocatória do Papa Francisco para o ano santo jubilar da Misericórdia: abertura no dia 8 de dezembro e conclusão da festa de Cristo Rei em novembro de 2016.

No dia 31 /07 iniciamos a negociação coma Sancar. E adquirimos o carro Hilux.o dia 13.

Qual foi o destaque do mês de Agosto?

Pe. Geraldo viajou de 14 a 31 e assim andamos em Brasil novo. Andamos onde fomos solicitados.

Agosto no dia 24 teve a acolhida e a entrada definitiva de Edvaldo (Cajá), Marinalda Almeida e Dorismeire na Ordem Franciscana Secular, Fraternidade São Francisco, ordem terceira, são agora pessoas consagradas que vivem a Regra de São Francisco seu carisma e o comprometimento com o Evangelho. É um sinal importante!

No dia 25 celebramos na sepultura do Dema um dos mártires da Transamazônica- Km 80.

Qual foi o destaque do mês de Setembro?

Estivemos com Ir Else e Miguel da 18- km 50 Brasil Novo com curso de reciclagem de garrafa Pet , fazendo vassouras, em Altamira (- Jaburu), 9-11/09 Placas e Anapu, Casa Familiar.

No dia 13 foi encontro sobre o Dizimo, assessor Antônio material utilizado:- cartilhas, envelope e fichas para a gente formar equipes e no 2ª domingo de cada mês a partilha..

No dia 14 D. Erwin disse: “Faça o que puder” , - esta é a provisão para o Pe. Alírio.

Do dia 21/09 á 1º /10 viagem pelo Sul- Elci foi junto. Foi uma missão com encontros, articulações, visitas, celebrações e festas da família eparentes. Sensibilizar até o Bispo para a igreja irmã, vai enviar mais um padre o ano que vem.

Qual foi o destaque do mês de Outubro?

No mês de Outubro foi destaque: a festa de Nazaré, São Francisco e São Benedito do Espelho.

Os dias 19 a 23 /10 realizou-se o encontro de Presbíteros em Santarém- Área 3 , Norte II. Foram 3 padres: Pe. Romildo , Pe. Hortêncio e Pe. Alírio.

No Assurini foi destaque a caminhada missionária: cartilha para novena com DVDe coleta.atingiu o povo de mais longe.

O Sínodo da Família em Roma de 04 a 25.

31/10 Avaliação do plano 2015- mês missionário bom. O plano organizou 3 nucleos de área, já vinhamos atendendo assim: SMP no Assurini, realização de Crisma nos núcleos Pimentel e Ressaca. Ações referentes para o ano de 2016: CF, 3 encontros do dos conselho pastoral ampliado em cada nucleo estudos com as lideranças.

Em novembro fizemos viagem ao Nordeste e Brasília - foi uma missão pelo Piauí e Ceará ( Sobral, Itapipoca e Fortaleza) Em Brasília preparação da Assembleia eletiva da ANPB. Elci esteve junto e deu testemunho. Ela visitou também Goiânia.

Pe. Alírio Bervian

Prestação de contas:

Entradas: coletas, dízimo, doações: 2497,80

P/ L200- ajuda especial : 5.000,00

Toral: 7497,80

Gastos c/ a Hilux e L-200 7332,00

Total Geral- Saldo 165,80

Programas agendados : O que está agendado?

NOVEMBRO

14/11- Travessão Rezende (PARessaca) Casa de Mara 10h

– Bom sossego-Santa Maria 18h

15/11-Cocal- São José 10h

-João Bispo- São miguel Arcanjo-15h c/ Cajá

21/11 WS- combinado com Isael e Socorro Santana no km10 Assurini- 1ª visita 19h

22/11- Itapuama- Div. Esp Santo -9h

Acesso – Festa Cristo Rei-15h

25 a 26/11- Reunião Conselho Presbiteral 9h do dia 25/11 e terminando 26/11 às 12h- Centro Pastoral -Altamira

25/11- na 8 – 1 mês de + Nilton Elias-19h

26 a 28/11- Reunião Conselho de Pastoral iniciado às 12h do dia 26/11 e finalizando dia 28/11 às 12h

29/11-06/12- em Bom Jesus do Amparo-MG missões – vai um grupo para lá e Pe. Juquinha.

 

Obs.: não esquecer a tragédia: de Mariana-MG: Rompimento de 2 barragens em 6/11/2015 e de Paris no dia 13/11/2015- atentado terrorista.

DEZEMBRO

1º -03/12- Souzel – Festividade de São Francisco Xavier

4- 6/12 Articulação de Itaituba- area3 norte II- Presbíteros- Pe. Romildo, Paulo Cesar e Pe. Alírio

07/12- Itatá- n. Sr ª Conceição- 19h

08/12- Dispensa 1- Conceição- 9h

Cajueiro- n. Srªda Conceição -16h

12/12- Ass. área do Assurini- Dia todo

Dispensa – Nazaré – casamento de Francinete e Eliésio-10h

Pirarara- Casa de Assis – St Luzia-19h

13/12-vicinal dos Crentes- inauguração da Capela São Francisco Xavier 9h

13/12-PA- Ressaca (Resende) casa de Gildete- comunidades Santa Luzia- 18h

14/12- sair para Paraupebas até o dia 16/12

18/12- casamento de Jorge e Marilene- 18h em Brasil Novo.

19/12- Dispensa 2- Nazaré-16h 2 casamentos-

20/12Pa Ressaca – São José 10h-

Cajá 2-casa de Aquino – 2 anos de falecimento de Cleiton- 10h Pe. Juquinha

24/12- na 8/10 – Milagres – à noite – Natal ( Maria Teresinha do Nascimento e Zé).

25/12- Acesso 2- São José – 2 anos- falecimento de Reginaldo -10h

_Transunião- Casa de Chagas e Genoveva- 15h

26/12- Babaquara- São Francisco- 9h

_Pernambuco- N. Sr das Graças- 16h

27/12- Acesso 6 – S. Benedito - 10h

Feliz Ano novo de 2016

JANEIRO

05-12/01- Aparecida do Norte- Semana de Espiritualidade Fraternidade + Jesus Cáritas. Somos uns 200 padres no Brasil. No dia 1º /12/2015 faz 100 anos que o bemaventurado Charles de Foucoauld foi assassinado. Ele é o inspirador desta fraternidade: “Gritar o Evangelho com a vida!”.

Vamos seguir para o Sul- Porto Alegre – Santa Catarina e Paraná.15 a 18 /02-Ass. eletiva da ANPB- em Brasília.

Note bem: Esta carta é das atividades e visitas intenerantes de Pe. Alírio.

Pe. Juquinha está marcando as visistas nas comunidades e as que ele já marcou , todas vão ser realizadas nas comunidades. Preste atenção e não criem confusão.

 

Fim de ano e tempo de avaliar- aprofundar e projetar. Neste ano de 2015 tivemos a presença de Pe. Juquinha- novos tempos, sangue novo, caminhada renovada. Não nos cansamos de louvar e agradecer por este dom de Deus. Só a presença já traz um novo clima. Vibramos demais com esta presença. A liderança está desperta e novas lideranças vão surgindo.;as propostas das prioridades da Prelazia exigem prática e é o que vai acontecendo. No dia 12/12 não esquecer a assembleia da Área- dia todo– é muito importante!

Queremos desejar a todos um feliz e abençoado Natal e um Ano Novo cheio de “Força e Coragem”, de Paz e Bem! Que 2016 seja melhor que 2015. Um forte abraço a todos!

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Dom Erwin estará em Roma convidado para celebrar os 50 anos do „Pacto das Catacumbas“.

No dia 16 de novembro de 1965, há 50 anos, poucos dias antes do encerramento do Vaticano II, cerca de 40 padres conciliares celebraram uma Eucaristia nas Catacumbas de Domitila, em Roma, pedindo fidelidade ao Espírito de Jesus. Depois dessa celebração, assinaram o "Pacto das Catacumbas".

O documento é um desafio aos "irmãos no Episcopado" a levar adiante uma "vida de pobreza", uma Igreja "serva e pobre", como sugerira o Papa João XXIII.

Os signatários – entre eles muitos brasileiros e latino-americanos, embora muitos outros aderiram ao pacto mais tarde – se comprometiam a viver em pobreza, a renunciar a todos os símbolos ou privilégios do poder e a pôr os pobres no centro do seu ministério pastoral. O texto teve uma forte influência sobre a Teologia da Libertação, que surgiria nos anos seguintes.

Um dos signatários e propositores do pacto foi Dom Helder Câmara. (Fonte: Rádio Vaticano )

Eis o texto.

Pacto das Catacumbas da Igreja serva e pobre


Nós, Bispos, reunidos no Concílio Vaticano II, esclarecidos sobre as deficiências de nossa vida de pobreza segundo o Evangelho; incentivados uns pelos outros, numa iniciativa em que cada um de nós quereria evitar a singularidade e a presunção; unidos a todos os nossos Irmãos no Episcopado; contando sobretudo com a graça e a força de Nosso Senhor Jesus Cristo, com a oração dos fiéis e dos sacerdotes de nossas respectivas dioceses; colocando-nos, pelo pensamento e pela oração, diante da Trindade, diante da Igreja de Cristo e diante dos sacerdotes e dos fiéis de nossas dioceses, na humildade e na consciência de nossa fraqueza, mas também com toda a determinação e toda a força de que Deus nos quer dar a graça, comprometemo-nos ao que se segue:

1) Procuraremos viver segundo o modo ordinário da nossa população, no que concerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção e a tudo que daí se segue. Cf. Mt 5,3; 6,33s; 8,20.

2) Para sempre renunciamos à aparência e à realidade da riqueza, especialmente no traje (fazendas ricas, cores berrantes), nas insígnias de matéria preciosa (devem esses signos ser, com efeito, evangélicos). Cf. Mc 6,9; Mt 10,9s; At 3,6. Nem ouro nem prata.

3) Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem conta em banco, etc., em nosso próprio nome; e, se for preciso possuir, poremos tudo no nome da diocese, ou das obras sociais ou caritativas. Cf. Mt 6,19-21; Lc 12,33s.

4) Cada vez que for possível, confiaremos a gestão financeira e material em nossa diocese a uma comissão de leigos competentes e cônscios do seu papel apostólico, em mira a sermos menos administradores do que pastores e apóstolos. Cf. Mt 10,8; At. 6,1-7.

5) Recusamos ser chamados, oralmente ou por escrito, com nomes e títulos que signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência, Monsenhor...). Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre. Cf. Mt 20,25-28; 23,6-11; Jo 13,12-15.

6) No nosso comportamento, nas nossas relações sociais, evitaremos aquilo que pode parecer conferir privilégios, prioridades ou mesmo uma preferência qualquer aos ricos e aos poderosos (ex.: banquetes oferecidos ou aceitos, classes nos serviços religiosos). Cf. Lc 13,12-14; 1Cor 9,14-19.

7) Do mesmo modo, evitaremos incentivar ou lisonjear a vaidade de quem quer que seja, com vistas a recompensar ou a solicitar dádivas, ou por qualquer outra razão. Convidaremos nossos fiéis a considerarem as suas dádivas como uma participação normal no culto, no apostolado e na ação social. Cf. Mt 6,2-4; Lc 15,9-13; 2Cor 12,4.

8) Daremos tudo o que for necessário de nosso tempo, reflexão, coração, meios, etc., ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos grupos laboriosos e economicamente fracos e subdesenvolvidos, sem que isso prejudique as outras pessoas e grupos da diocese. Ampararemos os leigos, religiosos, diáconos ou sacerdotes que o Senhor chama a evangelizarem os pobres e os operários compartilhando a vida operária e o trabalho. Cf. Lc 4,18s; Mc 6,4; Mt 11,4s; At 18,3s; 20,33-35; 1Cor 4,12 e 9,1-27.

9) Cônscios das exigências da justiça e da caridade, e das suas relações mútuas, procuraremos transformar as obras de "beneficência" em obras sociais baseadas na caridade e na justiça, que levam em conta todos e todas as exigências, como um humilde serviço dos organismos públicos competentes. Cf. Mt 25,31-46; Lc 13,12-14 e 33s.

10) Poremos tudo em obra para que os responsáveis pelo nosso governo e pelos nossos serviços públicos decidam e ponham em prática as leis, as estruturas e as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade e ao desenvolvimento harmônico e total do homem todo em todos os homens, e, por aí, ao advento de uma outra ordem social, nova, digna dos filhos do homem e dos filhos de Deus. Cf. At. 2,44s; 4,32-35; 5,4; 2Cor 8 e 9 inteiros; 1Tim 5, 16.

11) Achando a colegialidade dos bispos sua realização a mais evangélica na assunção do encargo comum das massas humanas em estado de miséria física, cultural e moral - dois terços da humanidade - comprometemo-nos:

  • a participarmos, conforme nossos meios, dos investimentos urgentes dos episcopados das nações pobres;
  • a requerermos juntos ao plano dos organismos internacionais, mas testemunhando o Evangelho, como o fez oPapa Paulo VI na ONU, a adoção de estruturas econômicas e culturais que não mais fabriquem nações proletárias num mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem de sua miséria.

12) Comprometemo-nos a partilhar, na caridade pastoral, nossa vida com nossos irmãos em Cristo, sacerdotes, religiosos e leigos, para que nosso ministério constitua um verdadeiro serviço; assim:

  • esforçar-nos-emos para "revisar nossa vida" com eles;
  • suscitaremos colaboradores para serem mais uns animadores segundo o espírito, do que uns chefes segundo o mundo;
  • procuraremos ser o mais humanamente presentes, acolhedores...;
  • mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religião. Cf. Mc 8,34s; At 6,1-7; 1Tim 3,8-10.

13) Tornados às nossas dioceses respectivas, daremos a conhecer aos nossos diocesanos a nossa resolução, rogando-lhes ajudar-nos por sua compreensão, seu concurso e suas preces.

Ajude-nos Deus a sermos fiéis.

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XXI ASSEMBLÉIA GERAL DO CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO

 


 

Relatório da Presidência do Cimi referente ao período 2014-2015


 

... qual dos três tornou-se próximo do homem

que caiu nas mãos dos assaltantes? –

Aquele que usou de misericórdia para com ele.”

Lc 10,36-37


 

I. Introdução

 

Tensões e preocupações, angústias e luto e, por cima de tudo, a indignação e revolta diante da inoperância, negligência e, muitas vezes, aberta omissão dos poderes constituídos caracterizam os anos 2014 e 2015. Os desafios são diários, não nos dão trégua, mas podemos afirmar que com a graça de Deus estivemos e estamos lado a lado com os povos indígenas no enfrentamento ao mais violento dos ataques aos seus direitos na história recente do país.

A razão profunda de todas as aversões e agressões de que os povos indígenas são vítimas é a discriminação sutil ou aberta que é sempre consequência de um desprezo aparentemente congênito de muitos em relação aos índios. Os congressistas em Brasília e grande parte da sociedade brasileira ainda não entranharam os parâmetros da Constituição de 1988 que consagra os direitos dos povos indígenas. Ao contrário, continuam em voga padrões ultrapassados de constituições anteriores à Constituição “cidadã” que defendiam a tese da “incorporação dos silvícolas à comunhão nacional”. No fundo é isso que os anti-indígenas de norte a sul querem: aplicar os parâmetros das antigas constituições nada “cidadãs“. Os índios têm que se tornar brasileiros “comuns“, tem que abdicar à sua identidade de pertencer a esse ou aquele povo. Índio tem que deixar de ser índio, tem que sair da aldeia, tem que largar sua maneira de ser, seus cocares e pinturas corporais para ser um brasileiro igual a todos. Seus artefatos e sua cultura ficam reduzidos a mero ingrediente folclórico nos desfiles de 7 de Setembro. Já que índio não produz, por que ainda ocupa terras da União e faz questão de defender sua alteridade? E tem que ser dito em bom e alto som que estas manifestações de desprezo disseminadas pelo país são puro racismo! E racismo é crime.

Essas atitudes ultrajantes muitas vezes já são cultivadas no seio da família, na ideia que os pais têm de índio e transmitem aos filhos desde cedo. Se para os pais os índios são “bugres” ou “caboclos”, “selvagens” ou reminiscências “da idade da pedra lascada”, quem vai evitar que os filhos tenham a mesma compreensão? Grande parte do material didático de nossas escolas tem que ser revisado. A verdadeira história do Brasil precisa ser contada não do ponto de vista dos conquistadores, dos que “descobriram” e dominaram a Terra de Santa Cruz, mas do ponto de vista das vítimas que são em primeiro lugar os povos indígenas e depois os negros trazidos como escravos da mãe África. Penso que também em nível universitário se deve implantar uma disciplina específica sobre os povos indígenas e fazer pesquisas para recuperar o grande acervo cultural que os povos autóctones compõem. “O Brasil não tem ideia da riqueza humana e cultural que se perde ao insistir em uma política que não se cansa de tentar transformar índios em pobres, ‘integrados’ às levas de marginalizados que ocupam as periferias das grandes cidades” escreveram Maria Rita Kehl e Daniel Pierri por ocasião do Dia do Índio, 19 de abril de 2015, na Folha de São Paulo.

Lamentavelmente, um anti-indigenismo mais forte ainda domina os setores político-econômicos no âmbito dos Três Poderes da República com o objetivo de implementar ações estruturantes e sistemáticas contra esses povos.

No Legislativo, as proposições que visam bloquear o acesso dos povos indígenas aos direitos fundamentais, tais como à terra tradicional e a um ambiente protegido e equilibrado, conduzem inevitavelmente a graves violações. Neste contexto, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/2000 e o Projeto de Lei 1610/96 são as principais armas manejadas pela bancada ruralista e da mineração. Ainda bem que os povos indígenas não ficam parados e quietos. Continuamente se fazem presentes junto ao Congresso Nacional defendendo com toda veemência os seus direitos constitucionais para evitar retrocessos históricos.

No Executivo, a paralisação dos procedimentos de demarcação das terras indígenas impera como “decisão de governo”. Mesmo havendo ao menos trinta procedimentos de demarcação sem qualquer impedimento técnico ou jurídico, a presidente Dilma Rousseff e seus ministros se negam a dar seguimento regular aos processos e impedem que o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) cumpra sua responsabilidade constitucional de demarcar as terras.

No Judiciário, decisões tomadas no âmbito da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) descaracterizam o Artigo 231 da Constituição Federal através de uma reinterpretação fundamentalista e radicalmente restritiva quanto ao conceito de terra tradicionalmente ocupada pelos povos. Tais decisões anularam atos administrativos do Poder Executivo de demarcação das terras Guyraroká, do povo Guarani-Kaiowá e Limão Verde, do povo Terena, ambos no Mato Grosso do Sul, e Porquinhos, do povo Canela-Apãniekra, no Maranhão, sob a justificativa de que tais terras não seriam tradicionalmente ocupadas pelos índios.

O conjunto de ações implementadas pelos Três Poderes do Estado brasileiro contribui direta e organicamente para o aprofundamento e a legitimação do processo de violações e violências contra os povos indígenas no Brasil.

A resistência e a luta indígenas na defesa de seus projetos próprios de vida e o envolvimento e o apoio de seus aliados na sociedade civil têm por finalidade exigir do Congresso Nacional que rejeite a PEC 215 e não dê prosseguimento às outras iniciativas anti-indígenas. Insistem categoricamente junto ao governo Dilma que cumpra sua obrigação constitucional de demarcar as terras indígenas. Intentam ainda que o Pleno do STF reveja as decisões tomadas no âmbito da sua 2ª Turma para apagar os rastros de violências contra os povos indígenas no Brasil.

A presença de cada missionário e missionária junto aos povos indígenas tem sido fundamental e contribuído sobremaneira na animação e mobilização dos povos, elemento central para evitar os retrocessos almejados pelos seus inimigos.

E foi nesses momentos de presença solidária, especialmente quando nos damos conta da grande resistência e da capacidade de mobilização e articulação deles, que vivemos também, ao longo destes últimos dois anos, momentos de imensa alegria e realização pessoal e institucional.


 

II. Algumas frentes de atuação do Cimi

Cabe aqui um agradecimento especial aos nossos conselheiros e conselheiras que com grande zelo e generoso empenho conduzem os trabalhos do Cimi nos regionais, sempre articulados e em sintonia com a Diretoria e o Secretariado Nacional. Do mesmo jeito digo hoje: O que seria o Cimi sem os assessores e assessoras, funcionários e funcionárias? Sou-lhes muito grato pelo empenho e engajamento em favor da causa indígena.

Destaco agora, de forma mais pontualizada, alguns aspectos de nosso trabalho que demonstram esta comunhão em âmbito nacional:

  1. Análises de Conjuntura e Notas de Opinião do Cimi: produzimos e socializamos seis análises de conjuntura e quinze notas públicas com posicionamento político do Cimi acerca de temas de interesse dos povos indígenas no Brasil.

  2. Apoio à luta dos Povos Indígenas: contribuímos além do envolvimento permanente das equipes de base e regionais do Cimi com nosso apoio às inúmeras mobilizações indígenas em defesa de seus direitos e projetos de vida, com serviços de articulação, visibilização e assessoria a cerca de sessenta delegações de lideranças indígenas de todas as regiões do país, em Brasília, em audiências e ações políticas junto a instâncias diversas dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

  3. Ações institucionais em defesa dos direitos dos povos indígenas: além do apoio às iniciativas dos próprios povos indígenas, assumimos institucionalmente a defesa de seus interesses em pelo menos setenta audiências com deputados federais, senadores e procuradores da república, ministros de Estado e do Supremo Tribunal Federal e outras autoridades do Estado Brasileiro. Por meio de nossa assessoria jurídica atuamos em vinte e cinco processos judiciais na defesa de lideranças, comunidades e povos indígenas. Merecem um destaque especial, os casos das Terras Indígenas Guyraroká e Limão Verde, dos povos Guarani Kaiowá e Terena, do estado do Mato Grosso do Sul, e da Terra Indígena Porquinhos, do povo Canela-Apanyekraá, do estado do Maranhão.

  4. Participação e assessoria a lideranças indígenas em instâncias de controle social e políticas públicas: mantivemos e conquistamos espaços de representação institucional e participamos ativamente na Comissão Intersetorial de Saúde Indígena (CISI), Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena (CNEEI), Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), Comissão Organizadora Nacional da 1ª Conferência Nacional de Política Indigenista. Participamos de reuniões e contribuímos com o Programa de Defensores de Direitos Humanos. Destaco a eleição do Cimi pelas organizações da sociedade civil para ocupar como titular um dos assentos no Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH).

  5. Incidência Internacional: ocupamos espaço, fizemos denúncias e viabilizamos a participação de lideranças indígenas em instâncias internacionais, tais como: Fórum Permanente das Nações Unidas para os Direitos dos Povos Indígenas em Nova York (maio 2014 e abril de 2015); Conselho de Direitos Humanos da ONU, para divulgação do Relatório de Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, em Genebra (setembro de 2014 e setembro de 2015); reuniões com europarlamentares e comissões do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia, em Bruxelas (outubro de 2014); Fórum das Nações Unidas para o Diálogo entre empresas e Direitos Humanos, especialmente quanto aos direitos da mulher indígena, em Genebra (dezembro de 2014).

  6. Publicações: merecem destaque as seguintes publicações: duas edições do “Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil” (2013 e 2014); versão em inglês do “Relatório de Violência contra os Povos Indígenas no Brasil” (2015); “Por uma Educação Descolonial e Libertadora: Manifesto sobre a Educação Escolar Indígena no Brasil (2014); “Empreendimentos que Impactam Terras Indígenas (2014); 4ª edição do “Plano Pastoral do Cimi”, com subsídio Catequese e sobre a Encíclica “Laudato Si’” (2015).

  7. Atuação em âmbito eclesial: o Cimi se fez presente nos espaços de reflexão, debates e discussões de nossa Igreja, especialmente nas reuniões das pastorais e de organismos missionários. Mantivemos uma participação ativa nas reuniões do Conselho Episcopal de Pastoral (CONSEP), do Conselho Permanente e na Assembleia Geral da CNBB. Em diferentes ocasiões conquistamos o apoio e a manifestação pública da CNBB em defesa dos direitos e da vida dos povos indígenas. Estivemos presentes nas Assembleias do Conselho Missionário Nacional (COMINA), das Pontifícias Obras Missionárias (POM) e do Centro Cultural Missionário (CCM). Também participamos e contribuímos no V Simpósio de Teologia Índia que refletiu sobre o tema “Revelação de Deus e Povos Originários” e na reunião da Articulação Ecumênica Latino-americana de Pastoral Indígena (AELAPI), no México, em outubro de 2014. Contribuímos para o enraizamento da “Articulação das Pastorais do Campo”, envolvendo, além do Cimi, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), o Serviço Pastoral dos Migrantes, a Pastoral da Juventude Rural (PJR) e a Cáritas Brasileira. Estamos organicamente envolvidos nos debates e reflexões em torno da criação e organização da Rede Eclesial PanAmazôncia (REPAM). Participamos do Encontro Mundial do Papa com os Movimentos Populares na Bolívia (2015) oportunizando a entrega de documento por parte de liderança Guarani Kaiowá ao Papa Francisco.

  8. Articulações políticas com movimentos e organizações sociais: as Coordenações Regionais e o Secretariado Nacional se esforçaram para ampliar e fortalecer articulações políticas, sempre pautando e defendendo a temática indígena. Temos a firme convicção de que as alianças dos povos indígenas com outros segmentos da sociedade são estratégicas e imprescindíveis para a garantia de seus direitos. Merecem destaque as articulações políticas estabelecidas com os movimentos e organizações da Via Campesina Brasil e Via Campesina Sul-americana, com o Grupo Carta de Belém e o Grupo Carta do Acre, com o Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social, a Plataforma DHESCA, a Associação Juízes Pela Democracia (AJD).

  9. Sensibilização da sociedade civil: promovemos, como todos os anos, a “Semana dos Povos Indígenas” e elaboramos materiais para esse momento privilegiado, subsidiando junto a diversos setores da sociedade a realização de dezenas de debates, manifestações e estudos sobre a realidade indígena.

  10. Formação: o Curso de Formação Básica e o Programa Nacional de Formação Permanente contribuem de modo eficaz para a formação de missionárias e missionários. O Curso sobre Indigenismo está em fase de organização.

  11. Comunicação e Informação: aumentamos a divulgação de matérias jornalísticas sobre a temática indígena, bem como, a visibilização do Cimi em espaços alternativos de comunicação, inclusive na chamada “grande mídia”. A temática indígena é uma pauta que tem sido mais facilmente acolhida e divulgada com bastante repercussão junto à sociedade no Brasil e no exterior, bem como no âmbito dos poderes de Estado. Para isso contribuíram o Jornal Porantim, o Informe Semanal “O Mundo que nos Rodeia”, o programa Potyrõ, a página eletrônica e os canais do Cimi com ampliada inserção em redes sociais. Nosso canal institucional da rede social Facebook conta com 21 mil curtidas e o no Twitter alcançamos 10 mil seguidores. Estamos produzindo notícia semanal para o programa “Brasil Hoje” da Rede Católica de Rádio o que nos permite chegar a milhões de pessoas em todas as regiões do país por meio das mais de 120 rádios católicas que retransmitem o programa.

  12. Mobilização de Recursos no Cimi: avançamos no debate sobre o tema da mobilização de recursos. Com base num processo de reflexão coletiva, no âmbito do Conselho Diretor, elaboramos a “Política de Mobilização de Recursos no Cimi”. Investimos na contratação de uma pessoa para contribuir com os Regionais de forma mais direcionada na estratégia ligada à cooperação internacional. Fizemos uma primeira experiência de “Financiamento Coletivo de Projetos” por meio da Plataforma Kikant. Continua como desafio para todos nós avançarmos na implementação desta política, com iniciativas relativas a pessoas físicas, vencendo eventuais debilidades administrativas e caminhando rumo a uma maior isonomia entre regionais e secretariado nacional e ao envolvimento de todas as instâncias e de todos os missionários e missionárias da entidade como verdadeiros sujeitos desse processo.

  13. Organicidade interna: os Regionais mantiveram-se fiéis quanto à organização e realização de suas assembleias anuais. O Conselho Diretor realizou as três reuniões ordinárias anuais e uma reunião extraordinária. O Coletivo Nacional de Formação e os Conselhos Fiscal e Econômico tem mantido uma dinâmica sistemática de trabalho no sentido de contribuir com a caminhada da entidade no que tange às temáticas da formação e administração. Quanto à questão administrativa destacamos a elaboração e aprovação, em curso, do Manual de Normas e Procedimentos Internos do Cimi.


 

III. A Encíclica “Laudato Si’”

Não posso deixar de fazer referência à Encíclica do Papa Francisco “Laudato Si’ sobre o Cuidado da Casa Comum” que para nós do Cimi é um presente todo especial pois nos confirma na nossa caminhada. O Papa lança “um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos construindo o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós“ (LS 14). Lamenta que “a terra, nossa casa, parece transformar-se cada vez mais num imenso depósito de lixo“ (LS 21). Insiste que “a humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de mudanças de estilos de vida, de produção e de consumo, para combater o aquecimento ou, pelo menos, as causas humanas que o produzem ou acentuam“ (LS 23). E dá seu recado em vista da Conferência Mundial do Clima em Paris (30 de novembro a 11 de dezembro de 2015) dizendo: “A submissão da política à tecnologia e à finança demonstra-se na falência das cúpulas mundiais sobre o meio ambiente. Há demasiados interesses particulares e, com muita facilidade, o interesse econômico chega a prevalecer sobre o bem comum e manipular a informação para não ver afetados os seus projetos“ (LS 54).

E quem de nós do Cimi não se sente apoiado quando lê as palavras do Papa: “É louvável a tarefa de organismos internacionais e organizações da sociedade civil que sensibilizam as populações e colaboram de forma crítica, inclusive utilizando legítimos mecanismos de pressão, para que cada governo cumpra o dever próprio e não-delegável de preservar o meio ambiente e os recursos naturais do seu país, sem se vender a espúrios interesses locais ou internacionais“ (LS 38).

Quanto aos povos indígenas o Papa Francisco enfatiza: “É indispensável prestar uma atenção especial às comunidades aborígenes com as suas tradições culturais. Não são apenas uma minoria entre outras, mas devem tornar-se os principais interlocutores, especialmente quando se avança com grandes projetos que afetam os seus espaços. Com efeito, para eles, a terra não é um bem econômico, mas dom gratuito de Deus e dos antepassados que nela descansam, um espaço sagrado com o qual precisam de interagir para manter a sua identidade e os seus valores. Eles, quando permanecem nos seus territórios, são quem melhor os cuida. Em várias partes do mundo, porém, são objeto de pressões para que abandonem suas terras e as deixem livres para projetos extrativos e agropecuários que não prestam atenção à degradação da natureza e da cultura“ (LS 146).

Recomendo a apresentação que nosso assessor teológico Padre Paulo Suess elaborou em power-point que nos ajuda a ter uma visão bem ampla e profunda de Laudato Si’.


 

IV. Conclusão

 

Depois de quatro mandatos (1983 – 1991, 2007 – 2015) e um mandato tampão (2006) como presidente do Cimi apresento nesta nossa XXI Assembleia Geral pela última vez o Relatório da Presidência. Guardadas as devidas proporções lembro a palavra de São Paulo a seu discípulo Timóteo: “Combati o bom combate, terminei minha corrida, guardei a fé” (2 Tim 4,7). Não se trata de despedida, pois mesmo voltando a ser “soldado raso“, enquanto Deus me der a vida jamais deixarei de lutar pela nobre causa dos povos indígenas e pela Amazônia.

Digo apenas a cada irmã, a cada irmão do Cimi, às lideranças dos povos indígenas e a cada indígena neste país um cordial e sincero “Deus lhe pague”. Obrigado, de coração, à Irmã Emília e ao Cleber que comigo integraram a presidência durante os anos passados. Obrigado a vocês todas e todos pela fraterna e sororal amizade e comunhão que nos une hoje e unirá também nos anos vindouros.

 

Luziânia, GO, 17 de setembro de 2015

 

 

Erwin Kräutler

Bispo do Xingu

Presidente do Cimi

Subcategorias

Bispo responsável: Dom Erwin Krautler

Nascimento: 12/07/1939 -Koblach/ Áustria, ordenação

presbiteral: 03/07/1965 - Salzburg/ Áustria.

Sagrado bispo em 25/01/1981 - Altamira - Província

Eclesiástica Belém do Pará.

 

Endereço: Avenida João Pessoa, 1212 CEP 68371-040 - Centro, Altamira - Para - Brasil

 

Tel: 0055.0XX93.3515.1761 - Curia - 0055.0xx93.3515.2494

 

 

Características Gerais da Prelazia

A Prelazia do Xingu foi criada a 16/08/1934, pela Bula “Animarum Bonum Postulat” do Papa Pio XI, desmembrada da Arquidiocese de Belém do Pará e das então Prelazias de Santarém e Santíssima Conceição do Araguaia. Foi confiada pela Santa Sé aos cuidados da Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue de Cristo. 1º Administrador Apostólico: Dom Armando Bahlmann, OFM (1935). 2º Administrador Apostólico: Padre Clemente Geiger, CPPS (1935-1948). 1º Bispo Prelado: Dom Clemente Geiger, CPPS (1948 a 1971). 2º Bispo Prelado: Dom Eurico Krautler, CPPS (1971 a 1981).

 

Superfície: 368.086,0 KM²

População: 392.211 hab

Densidade Demográfica 1,1 hab/km² (baseado em dados do, IBGE - 2000)

 

 Mapa da Prelazia do Xingu

 

MunicípioS pertencentes: Altamira, Anapu, Bannach, Brasil Novo, Cumaru do Norte, Gurupá, Medicilândia, Ourilândia do Norte, Placas, Porto de Moz, São Félix do Xingu, Senador José Porfírio, Tucumã, Uruará, Vitória do Xingu.

 

A Prelazia do Xingu é formada por seis regiões pastorais:

Região Alto Xingu: Ourilândia do Norte, São Félix do Xingu e Tucumã;

Região Médio Xingu: Vitória e Souzel;

Região Baixo Xingu: Porto de Moz e Gurupá

Região Transamazônica Oeste: Brasil Novo, Medicilândia, Uruará e Placas;

Região Transamazônica Leste: Belo Monte e Anapu

Região de Altamira: Paróquia Sagrado Coração de Jesus, Áreas: Perpétuo Socorro e Imaculada Conceição

 

Os municípios de Cumaru do Norte e Bannach são atendidos pela Diocese de SS. Conceição do Araguaia.

 

A Prelazia possui três instâncias de decisão: Grande Assembléia do Povo de Deus no Xingu, Conselho de Pastoral e Coordenação de Pastoral.

 

 

Nesta Seção você poderá baixar arquivos: texto, vídeo ou figuras que tenham relação com o trabalho pastoral na Prelazia, na medida que for sendo disponibilizados pelas pastorais ou agentes de pastoral.

Alguns Downloads poderão ser feitos somente por usuários cadastrados. Caso você seja um Agente de Pastoral e tenha alguma dificuldade entre em contato com o Centro de Pastoral para que faça o seu cadastramento como Agente.